O sonho de quem saiu por uma porta errada



Tudo começou de um jeito normal.

Tudo começa em um shopping, com alguém próximo de mim, e a gente tinha parado pra pedir sushi. Enquanto isso, apareceu uma prima que ama sushi, bem do nada, como se já estivesse ali desde sempre. Logo depois apareceu também o meu pai, querendo comprar sushi, mesmo ele nem comendo isso. Estava tudo tranquilo, nada fora do comum.

Aí, de repente, eu já não estava mais ali.

Eu estava em uma quadra de futebol e apareceu um professor perguntando se eu era bom em matemática. Ele disse que tinha um trabalho de contas que era “bom pra mim”. Não lembro de responder nada. Logo depois, eu já estava em uma sala de reunião de uma escola, com várias pessoas, e entrou um senhor que já morreu. Ele chegou, sentou, e ninguém estranhou.

Em algum momento, aquela pessoa que estava comigo no começo apareceu de novo, mas só pra sumir. Eu recebi uma foto de uma porta, como se fosse um aviso de que estava indo embora. Não teve conversa, só isso.

Depois eu estava outra vez no shopping, só que era o antigo, antes da reforma. Eu estava com outra prima, ela ficou olhando as coisas, e eu resolvi ir até o supermercado Tenda, entrando por aquela porta que dá direto pra rua.

Quando eu saí e tentei voltar, o Tenda já estava fechando. O segurança não deixou eu entrar. Eu fiquei sem saber o que fazer, porque eu precisava chegar na outra porta do shopping, onde tinha gente me esperando pra ir embora. Perguntei pro segurança como fazia, e ele apontou uma rua do centro, dizendo que dava pra chegar por ali.

Eu fui por essa rua, mas ela não levava a lugar nenhum. Quando tentei voltar, o caminho já estava diferente. Tinha uma obra enorme, bloqueando tudo: a rua, a calçada, os dois lados. Não dava pra passar e nem pra voltar.

Continuei andando. A rua estava toda bagunçada, parecia uma favela, tudo confuso. No meio disso tudo, eu consegui ver a entrada do Beto Carrero World e cheguei a passar na frente, como se aquilo fizesse parte daquele lugar.

Peguei o celular pra tentar me localizar. Estava com 1% de bateria. Tentei colocar o Buriti Shopping no Waze, mas eu errava o nome, apagava, digitava errado de novo. Comecei a ficar nervoso.

Antes da bateria acabar, liguei pra minha prima, pedi pra ela me esperar e falei que eu tinha me perdido e que o celular ia desligar. Não lembro o que ela respondeu, ou se respondeu.

Quando consegui colocar o lugar certo no GPS, apareceu a rota… e eu estava muito longe, longe demais pra saber como chegar.

No meio disso, recebi uma ligação de uma menina que estudou comigo, alguém que eu não falo há anos. Eu atendi, reconheci a voz, mas não lembro da conversa.

Enquanto eu andava por aquela rua, tinha gente em volta rindo de mim o tempo todo.

No final, recebi mensagem no WhatsApp de uma amiga que morreu. Ela mandou a foto de um desenho do L, de Death Note, que ela tinha feito pra mim. Na mensagem, dizia que eu não me despedi. Que naquele dia no supermercado, quando eu tentei falar com ela e fui xingado, ela precisava de ajuda — e eu fui embora.

Depois disso, acabou.

Ficou só aquela sensação ruim de estar perdido, de ter saído por um lugar errado, de não conseguir voltar, e de carregar coisas mal resolvidas que parecem não ir embora nunca.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem