Depois de quase uma década acompanhando Stranger Things, a série chegou ao seu desfecho final com o episódio 8 da quinta temporada com uma sensação estranha: empolgação e medo ao mesmo tempo. Afinal, não é todo dia que uma série tão marcante chega ao fim e, felizmente, posso dizer que o encerramento foi duro, emocional e coerente com tudo o que a história construiu desde o começo.
O episódio final não tenta agradar todo mundo. Ele escolhe ser honesto. E isso faz toda a diferença.
Hawkins não é mais a mesma — e nunca mais será
O episódio começa sem dar nenhum respiro. Hawkins já está em colapso total. As fendas abertas ao longo da temporada deixaram de ser um “perigo iminente” e passaram a ser parte do cenário da cidade.
Ruas rachadas, áreas evacuadas, esporos no ar e uma sensação constante de que tudo já foi longe demais. O governo simplesmente perde o controle e passa a tratar Hawkins como uma zona de desastre permanente. Desde os primeiros minutos, fica claro que não existe final feliz no sentido clássico.
Vecna enfraquecido: o vilão finalmente sangra
Uma das decisões mais acertadas do episódio é mostrar Vecna de forma diferente. Aqui, ele não é mais uma entidade intocável. Ele está ferido, instável e o mais importante mortal.
Ele sente dor. Ele sangra. Ele reage.
Isso muda completamente o peso do confronto. Pela primeira vez, fica claro que Vecna pode ser derrotado de verdade, não apenas adiado ou selado temporariamente como nas temporadas anteriores.
Não há mais planos mirabolantes — só confronto direto
O grupo entende que não existe mais espaço para estratégias complexas. O plano final é simples e brutal: encontrar Vecna e acabar com ele.
• Onze mantém a pressão psíquica
• Will usa sua conexão residual para guiar o grupo
• Joyce, Hopper, Steve, Nancy e Lucas avançam fisicamente
Não há discursos motivacionais exagerados. Só urgência. Só necessidade.
E isso deixa tudo mais real.
Vecna tenta usar o trauma — e falha
Durante o confronto, Vecna faz o que sempre soube fazer: tenta quebrar emocionalmente seus inimigos. Ele provoca Will, relembra o passado de Onze e tenta atingir Joyce pelo medo constante de perder o filho.
Mas, dessa vez, ninguém cai.
Eles não superaram seus traumas — eles aprenderam a viver com eles. E isso tira de Vecna a principal fonte do seu poder.
A cena do machado: o momento mais impactante do episódio
Aqui está o ponto que, pra mim, define o episódio inteiro.
Em meio aos destroços Joyce encontra um machado — uma arma improvisada, simples, quase simbólica.
Joyce ataca
Com vários golpes de machado, Vecna é decapitado. Não há efeito especial exagerado, não há retorno sobrenatural. A cabeça de Vecna cai e ele não se levanta mais.
Joyce Byers mata Vecna.
E isso é poderoso. A série começa com uma mãe desesperada tentando salvar o filho e termina com essa mesma mãe encerrando a ameaça que destruiu sua família.
O colapso do Mundo Invertido
Com Vecna morto, o Mundo Invertido começa a ruir. Não é algo bonito ou rápido é caótico, perigoso e destrutivo.
A vitória vem, mas cobra seu preço.
Hawkins sobrevive
Hawkins é salva da destruição total, mas nunca volta ao normal.
Ninguém vira herói público. Não há reconhecimento. Só sobrevivência.
Epílogo do episódio final — o que realmente acontece
Depois de toda a batalha contra Vecna e a destruição do Mundo Invertido (o chamado Abyss), o episódio final de Stranger Things culmina com um salto temporal significativo que mostra onde os personagens estão aproximadamente 18 meses após os eventos da luta final.
Um salto no tempo para fechar arcos
No epílogo, a série se afasta da ação e mostra um momento mais tranquilo e reflexivo na vida dos personagens:
• A cidade de Hawkins parece ter se recuperado em grande parte — a presença militar já não domina mais a cidade, e a vida “normal” está, ao menos aparentemente, sendo reconstruída.
• Os personagens principais seguem com suas vidas, agora um pouco distantes uns dos outros, tanto fisicamente quanto emocionalmente, mas com a sensação de que os eventos traumáticos ficaram para trás.
O destino dos personagens no epílogo
A sequência final foca em como cada um reencontra algum tipo de paz ou segue seus caminhos:
• Mike agora é um escritor e ainda lida com a ausência de Eleven, mas tenta seguir em frente com a ideia de produzir histórias (possivelmente inspiradas pelo que viveram).
• Dustin está na faculdade e se mantém próximo de Steve, em uma relação quase fraterna, mostrando que mesmo após as aventuras, laços de amizade resistem.
• Will parece ter encontrado um equilíbrio, vivendo fora de Hawkins e construindo uma nova vida longe dos horrores do Mundo Invertido.
• Lucas e Max continuam juntos e parecem ter uma relação forte, indicando que há esperança e continuidade para personagens que passaram por tanto sofrimento.
• Joyce e Hopper, por fim, fortalecem seu vínculo: eles têm momentos íntimos de reconexão, sugerindo que finalmente encontraram um pouco de felicidade fora do caos constante.
Também há cenas mostrando Steve, Robin, Nancy e Jonathan em suas vidas seguintes, com Steve até se envolvendo em atividades como treinador esportivo e Robin avançando na carreira jornalística, por exemplo, mostrando como o grupo amadureceu e seguiu caminhos próprios.
O destino de Eleven
Um dos pontos mais comentados do epílogo é sobre o destino de Eleven. No episódio final, parece que:
• Eleven se sacrifica ou desaparece durante a destruição final do Mundo Invertido — podendo ter sido uma morte real ou uma encenação para despistar inimigos.
• No epílogo, os personagens mencionam que não há confirmação de morte dela — e Mike sugere que o que todos viram pode ter terminado sendo uma ilusão criada por Kali/Eight para permitir que ela escapasse em segurança.
Ou seja, a série não afirma explicitamente que Eleven morreu. Em vez disso, ela deixa isso em aberto, permitindo ao público interpretar se ela realmente se foi ou se conseguiu sobreviver e esconder sua existência para sempre.
O epílogo funciona como uma forma de dizer ao público:
• “O ciclo acabou, o perigo passou, e agora a vida continua” — mesmo que com cicatrizes emocionais profundas.
• Ele evita fechar tudo de forma absolutamente definitiva, especialmente com Eleven, dando espaço para que fãs criem teorias ou possíveis spin-offs no futuro (como já foi mencionado pelos criadores).
• Em vez de um encerramento explosivo, o foco está em resolução emocional e reconstrução de vidas, mostrando que o que realmente importa são as relações humanas após o trauma.
E agora, Hawkins pode finalmente descansar.
