O Eco do Abismo: Capítulo 5 – A Queda da Máscara

O Eco do Abismo: Capítulo 5 – A Queda da Máscara


No capítulo anterior, as mentiras de Alzira começam a se voltar contra ela, seu confronto com Miguel expõe sua fragilidade e, ao final, uma sequência de invasões e alertas em suas contas revela que ela já perdeu o controle da própria vida.

Capítulo 5 – A Queda da Máscara

A partir dali, Vale Seco começou a devolver tudo o que Alzira espalhara por anos.

Não foi de uma vez. Foi pior.

Veio em ondas.

Primeiro vieram as conversas.

Discretas, quase sussurradas, mas constantes. Pessoas começaram a se procurar — não por amizade, mas por dúvida. Comparavam histórias antigas, lembranças desconfortáveis, frases mal encaixadas.

E então perceberam.

Não eram casos isolados.

Era um padrão.

Alzira havia dito coisas diferentes para pessoas diferentes, sempre com o mesmo objetivo: plantar desconfiança, afastar, provocar rachaduras invisíveis.

Marlene descobriu que uma frase cruel atribuída a ela — que havia custado uma amizade de anos — nunca tinha saído da sua boca.

Dona Nadir entendeu que os comentários sobre sua família não eram recentes. Já vinham sendo alimentados há meses, talvez anos.

Seu Joel, em silêncio, juntou peças que evitou encarar por muito tempo. Metade das desconfianças que carregava sobre os vizinhos… não tinham nascido dele.

Tinham sido colocadas ali.

Como sementes.

E agora estavam germinando.

Mas havia algo ainda mais incômodo vindo à tona.

Algo que ninguém dizia em voz alta antes.

Agora diziam.

Sem cerimônia.

Alzira nunca foi, de fato, querida.

Era tolerada.

Principalmente na região central da cidade, onde os comerciantes a conheciam melhor do que qualquer outro.

E, ao contrário do que ela acreditava, quase ninguém gostava dela.

Na padaria, na loja amarela, no mercadinho do Bem Bem, na Droga Brasil… o comentário era o mesmo:

— Sempre teve um jeito difícil…

— Nunca soube lidar com gente…

— Atendia como se estivesse fazendo favor…

Ela não sabia lidar com o público.

Nunca soube.

Respondia com impaciência, tratava perguntas simples como incômodo, e carregava um ar constante de superioridade.

Mas agora isso também começava a ser desmontado.

Porque, no fundo…

Ela não era ninguém.

Não tinha respeito verdadeiro.

O pouco que tinha…

Vinha do marido.

E nem isso era por afeto.

Era por interesse.

Em poucos dias, o nome de Alzira deixou de circular como antes.

Agora era lembrado.

E evitado.

Mas enquanto a cidade começava a enxergar…

Outra coisa acontecia em paralelo.

Silenciosa.

Implacável.

Invisível.

O celular vibrou.

Uma vez.

Depois outra.

E outra.

Mensagens começaram a chegar sem parar.

Seu código de verificação…”

Alguém tentou acessar sua conta…

Redefinição de senha solicitada…

Alzira tentou ignorar.

Tentou bloquear.

Tentou entender.

Mas não parava.

Era constante.

Dia após dia.

Hora após hora.

Como se alguém estivesse, deliberadamente, testando todos os acessos possíveis.

E então…

Deixou de ser só com ela.

O filho Calvo ligou aflito:

— Mãe, você tá mexendo em alguma coisa? Chegou um monte de código aqui pra mim!

E depois…

Ela estava prestes a perder o comércio de congelados herdado da mãe.

Alzira sentiu o chão ceder.

Agora nem a família tinha ficado de fora.

O que antes parecia um problema isolado…

Virava um cerco.

E o pior de tudo:

Não havia prova.

Não havia como explicar.

Não havia como acusar.

Só havia o acontecimento.

Repetido.

Insistente.

Incontrolável.

Ela sabia.

Mesmo sem ver.

Mesmo sem conseguir provar.

Miguel.

Frio.

Calculista.

Paciente.

Ele não precisava aparecer.

Não precisava ameaçar.

Não precisava falar.

Só precisava apertar os lugares certos.

E deixar o resto acontecer.

Alzira não se sentia segura nem mesmo com a portaria controlada.

Reforçou na segurança, não deixe Miguel entrar.

Mas o medo não ficava do lado de fora.

Ele já estava dentro, ela sabia que Miguel era querido e tinha muitos amigos que ali moravam e a portaria não podia impedi-lo de entrar.

E o pior o Juiz que ali morava era um grande amigo e aliado de Miguel.

À noite, os sons voltaram.

Pin Pin Pin código do whatsapp.

Barulho de água era toque do imesaage.

No domingo, diante do espelho do corredor, ouviu:

— Agora estão vendo. (Mas não tinha ninguém ali, era apenas vozes atormentadas de sua cabeça)

Mas realmente as pessoas estavam vendo.

A cidade.

A família.

E, pela primeira vez…

Ela mesma.

E para alguém como Alzira…

Ser exposta dessa forma…

Era pior do que qualquer condenação.

Em breve capitulo 6

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