O Eco do Abismo: Capítulo Bônus – O Calvo

O sábado amanheceu estranho em Vale Seco.

O Eco do Abismo: Capítulo Bônus – O Calvo


O ar parecia mais pesado que o normal.
Silencioso demais.

Como se a cidade estivesse esperando alguma coisa.

Na outra ponta da cidade, longe da antiga casa da Rua dos 900, vivia Adalberto Careca.

Conhecido por poucos… e lembrado por muitos como
o bebezinho da mamãe”.

Mesmo adulto, carregava esse apelido com naturalidade. Sempre protegido, sempre afastado dos problemas… sempre vivendo à sombra de Alzira Monteiro.

Para ele, a mãe nunca foi como diziam.

— O povo exagera demais — costumava dizer. — Minha mãe sempre foi uma pessoa boa.

Naquele sábado, Adalberto acordou mais tarde.

Pegou o iPhone Pro ainda na cama.

E foi aí que começou.

SMS recebido.

Seu código de verificação é: 748291”

Ele franziu a testa.

— Ué… não pedi nada.

Ignorou.

Segundos depois…

Outro.

Código de acesso: 993104

E mais um.

Tentativa de login detectada. Se não foi você, revise sua segurança.”

Adalberto sentou na cama.

— Que porra é essa?

Começou a ficar irritado. Abriu os aplicativos, verificou as contas, mudou senha de um… depois de outro.

Mas não adiantava.

Os códigos continuavam chegando.

Um atrás do outro.

Sem parar.

O coração começou a acelerar.

— Tão tentando me hackear…

Levantou, andou pelo quarto, passou a mão na cabeça… lisa, como sempre. Um gesto automático.

Os SMS não paravam.

Então algo mudou.

Uma das mensagens veio diferente.

Sem padrão.

Sem identificação.

Sem número reconhecível.

Você sabe de onde isso vem.

Adalberto congelou.

— Que…?

Apagou a mensagem na hora.

Respirou fundo.

— Isso é trote… só pode ser…

Começou.”

O quarto ficou estranho.

Silencioso demais.

Pesado demais.

Adalberto olhou ao redor.

Nada fora do lugar.

Mas algo…

Algo estava errado.

O celular escorregou da mão dele e caiu na cama.

Na tela… uma nova notificação.

Mais um SMS.

Era como se alguém tivesse invadido ali.

Sem origem.

O coração dele disparou.

Adalberto ficou imóvel.

Os olhos arregalados.

O ar preso.

— Não…

Ele virou lentamente o rosto.

Na tela apagada do celular…

Não tinha nada.

Silêncio.

Total.

Adalberto não se mexeu por vários minutos.

Mas uma coisa era certa.

Ele entendeu.

Tarde demais.

Em Vale Seco…
algumas histórias não terminam.

Elas…

continuam.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem