A Simulação do Fim: Quando Tudo Desaparece

Ninguém soube explicar como tudo começou.

Era para ser apenas uma visita a um shopping. Curiosamente, todos sabiam que aquele lugar era um Shopping conhecido, embora ele fosse completamente diferente da realidade. Os corredores eram maiores, a iluminação era estranha e havia uma sensação constante de que algo não estava certo.

Um rapaz caminhava pelo shopping ao lado de um grande amigo quando resolveu revelar uma decisão que vinha guardando havia algum tempo. Era uma escolha extrema, capaz de mudar tudo para sempre.

Pouco depois, eles encontraram uma amiga. O rapaz contou a ela exatamente a mesma coisa.

Os dois se entreolharam e disseram que, naquele shopping, existia uma espécie de parque escondido. Lá havia um brinquedo diferente de qualquer outro, criado para funcionar como uma simulação perfeita daquilo que ele pretendia fazer.

Segundo eles, antes de tomar qualquer decisão definitiva, seria melhor experimentar aquela simulação.

Também acreditavam que ele não teria coragem sequer de entrar.

Talvez por orgulho, talvez para provar que estavam errados, ele aceitou o desafio.

O parque ficava em uma parte isolada do shopping.

Não havia música.

Não havia crianças.

Nem filas.

Apenas silêncio.

No centro daquele lugar existia um único brinquedo.

À primeira vista parecia uma montanha-russa, mas era diferente. O percurso era formado por enormes canos metálicos que atravessavam o ambiente em todas as direções. A maior parte deles desaparecia completamente na escuridão.

Antes de entrar, o rapaz hesitou.

Mesmo com medo, decidiu seguir em frente.

Assim que o brinquedo começou, percebeu que aquilo estava longe de ser uma simples atração.

Lá dentro fazia um frio intenso.

A escuridão era quase absoluta.

O silêncio era sufocante.

Havia uma sensação inexplicável de que alguma coisa o acompanhava durante todo o percurso, embora nunca fosse possível enxergar o que era.

Mesmo tomado pelo medo, continuou.

Precisava provar que era capaz.

Depois disso, tudo ficou em branco.

Quando a cena voltou, ele já estava novamente do lado de fora do brinquedo.

O amigo continuava ali.

A amiga também.

E uma segunda amiga havia acabado de chegar para se juntar ao grupo.

Foi então que todos perceberam quem operava aquela atração.

Sentada em uma velha cadeira de ferro, semelhante às antigas cadeiras de bar, estava uma mulher de aparência perturbadora. Seu rosto lembrava o de uma velha bruxa, imóvel, silenciosa e com um olhar impossível de interpretar.

Ela não dizia absolutamente nada.

Apenas observava.

Depois de alguns segundos encarando a mulher, o amigo falou apenas uma frase:

— Vamos sair daqui.

Num instante, tudo mudou.

Os quatro já estavam na praça de alimentação do shopping.

Mas havia um detalhe estranho.

O amigo tinha desaparecido.

As três pessoas restantes permaneceram esperando por ele durante algum tempo.

Ele nunca voltou.

Mais tarde, naquele mesmo dia, os três foram comer em outro lugar.

Dessa vez, o amigo apareceu novamente, como se nada tivesse acontecido.

A tranquilidade durou pouco.

Alguém o chamou para resolver outra coisa.

Ele foi embora.

E desapareceu mais uma vez.

O restante do grupo seguiu viagem.

Já em sua cidade, próximo à região de um estabelecimento conhecida de todos, o rapaz pediu para descer do carro.

A motorista concordou.

Ele saiu.

O carro seguiu viagem.

Pouco tempo depois, restando apenas as duas amigas dentro do veículo, ambas chegaram à mesma conclusão.

Nenhuma delas gostou da ideia de tê-lo deixado naquele lugar.

Havia algo errado.

Sem dizer mais nada, deram a volta.

Voltaram para buscá-lo.

Quando o encontraram, decidiram levá-lo até a porta de casa.

Depois partiram.

Parecia o fim daquela história.

Mas ainda havia algo pior.

Num novo corte inexplicável, o rapaz já estava dentro de casa.

Ou pelo menos acreditava estar.

A construção era exatamente igual.

Ficava no mesmo terreno.

As paredes eram as mesmas.

As portas também.

Mas a sensação era completamente diferente.

A casa estava vazia.

Abandonada.

Como se ninguém morasse ali havia muitos anos.

As pessoas que deveriam viver naquele lugar simplesmente nunca existiram.

Era como entrar em uma versão paralela da realidade.

Sem família.

Sem vizinhos.

Sem qualquer sinal de vida.

Ele saiu à procura de alguém.

Não encontrou ninguém.

Dias pareciam passar naquele lugar silencioso.

Nunca mais ouviu falar do amigo.

Nunca mais encontrou as duas amigas.

Nunca mais viu qualquer outra pessoa.

Era como se tivesse sido esquecido em um mundo completamente vazio.

Restavam apenas a casa…

o silêncio…

e a certeza de que, em algum momento, havia atravessado um caminho sem volta.

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