Eu Sempre Estive Aqui – Capítulo 11: Uma Conversa Descontraída

Depois de tudo o que havia acontecido nos últimos dias, Anna percebeu que as conversas entre os dois estavam mudando.

Já não falavam apenas sobre os grupos, sobre as pessoas ou sobre tudo aquilo que havia acontecido.

Aos poucos, começaram a conversar sobre coisas mais simples.

Coisas que não tinham relação com os problemas.

Certa noite, uma mensagem dele apareceu.

— O que você está fazendo?

Anna respondeu:

— Tentando escolher alguma coisa para assistir.

— Filme ou série?

— Ainda não sei.

— Então me indica alguma coisa.

Anna riu.

— Você está me pedindo indicação?

— Estou.

— E você nunca sabe o que assistir?

— Às vezes eu fico uns vinte minutos procurando e acabo vendo a mesma coisa de sempre.

— Isso é muito triste.

— Por isso estou pedindo ajuda.

Anna começou a pensar.

Mandou uma indicação.

Ele perguntou sobre o gênero.

Ela explicou por que gostava daquele filme, qual personagem achava mais interessante e até comentou algumas cenas que sempre faziam com que ela voltasse a assistir.

Ele parecia genuinamente interessado.

— Você realmente gosta desse filme, né?

— Gosto muito.

— Então vou assistir.

— Promete?

— Prometo.

No dia seguinte, ele voltou ao assunto.

— Assisti.

Anna ficou surpresa.

— Você realmente assistiu?

— Claro.

— E aí?

Ele começou a contar o que tinha achado.

Não havia assistido apenas por assistir.

Prestara atenção nos detalhes que ela havia comentado.

Anna percebeu isso.

E gostou.

A conversa se estendeu por horas.

Depois daquele dia, filmes começaram a se tornar um assunto frequente entre eles.

Falavam sobre clássicos.

Filmes novos.

Filmes ruins que eram tão ruins que acabavam sendo engraçados.

Séries que haviam abandonado depois de alguns episódios.

Personagens que amavam.

Personagens que odiavam.

E aquelas produções que conseguiam prender a atenção até o último episódio.

— Você tem alguma série que poderia assistir várias vezes? — ele perguntou certa noite.

Anna pensou.

— Tenho algumas.

— Me passa uma lista.

— Uma lista?

— Sim. Quero saber o que você gosta.

Ela começou a enviar os nomes.

Um por um.

Ele salvava.

— Você está anotando?

— Estou.

— Pra quê?

— Para saber o que assistir quando eu não souber o que escolher.

Anna sorriu diante da tela.

— Então agora eu sou seu catálogo pessoal?

— Mais ou menos.

— Você é folgado.

— Mas você continua me indicando filmes.

— Porque alguém precisa melhorar seu gosto.

Ele respondeu com uma sequência de risadas.

Com o passar dos dias, o assunto também chegou à música.

Foi durante uma conversa qualquer que ele perguntou:

— E música?

— O que tem?

— O que você escuta?

Anna começou a falar sobre seus artistas favoritos.

Contou quais músicas ouvia quando estava feliz.

Quais colocava quando queria ficar sozinha.

Quais lembravam determinados momentos.

Ele também começou a compartilhar suas músicas.

Algumas Anna já conhecia.

Outras nunca tinha ouvido.

— Essa aqui é muito boa — ele escreveu.

— Nunca ouvi.

— Então escuta.

Poucos minutos depois, Anna respondeu:

— Gostei.

— Sabia.

— Não se acha não.

— Eu conheço seu gosto.

Anna ficou alguns segundos olhando para aquela frase.

Depois respondeu:

— Ainda está tentando descobrir meu gosto.

— Talvez.

A conversa continuou.

E quanto mais falavam sobre filmes, séries e música, mais Anna percebia que aquelas conversas simples revelavam pequenas partes de quem eles realmente eram.

Era diferente das discussões dos grupos.

Ali não havia acusações.

Não havia rumores.

Não havia necessidade de escolher lados.

Eram apenas duas pessoas conversando durante horas sobre coisas que gostavam.

Certa noite, ele voltou a pedir uma indicação.

— Quero assistir alguma coisa hoje.

— O que você está procurando?

— Qualquer coisa que você ache que eu deveria conhecer.

Anna pensou por alguns segundos.

— Tenho uma ideia.

— Qual?

Ela enviou o nome do filme.

Ele visualizou.

— Por que esse?

— Porque acho que você vai gostar.

— E se eu não gostar?

— Aí você pode reclamar comigo amanhã.

Ele respondeu:

— Combinado.

Anna colocou o celular sobre a cama e sorriu.

Talvez aquela fosse a parte mais inesperada de toda aquela história.

Entre tantos segredos, grupos, desconfianças e situações que ainda não compreendia completamente, existia também aquele espaço tranquilo entre os dois.

Um lugar onde podiam simplesmente conversar.

Onde ele podia perguntar:

“Que filme você recomenda?”

E ela podia responder:

“Esse. Confia em mim.”

E, naquele momento, era exatamente isso que ele fazia.

Confiava nas escolhas dela.

E Anna começava, pouco a pouco, a perceber que havia muito mais coisas em comum entre os dois do que ela imaginava quando tudo aquilo havia começado.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem