Anna permaneceu imóvel.
As palavras dele pareciam impossíveis de acreditar.
— Eu preciso que você me escute até o fim — disse ele, com a voz calma. — Depois, se quiser bloquear… eu não vou impedir.
Do outro lado da tela ela cruzou os braços, tentando esconder o nervosismo.
— Então fala.
Ele respirou fundo e começou a digitar.
— Eu não te conhecia. Um dia eu simplesmente apareci no grupo do You (o original)… e alguma coisa chamou minha atenção. Você parecia diferente de todo mundo. Não sei explicar.
Anna sentiu um arrepio.
— Foi por isso que você começou a me seguir?
Ele abaixou a cabeça.
— No começo… sim. Era só curiosidade. Eu queria entender quem você era. Descobrir por que você me intrigava tanto e saber se o que falavam de você era real.
Ela permaneceu em silêncio.
— Eu observava sua rotina. Via sua localização indo para o trabalho, sabia quando você atrasava voltando para casa.
Anna sentiu um nó na garganta.
Aquilo era assustador.
Mas a sinceridade dele também parecia verdadeira.
— Com o tempo, a curiosidade mudou.
Ele levantou os olhos pela primeira vez.
— Eu comecei a me preocupar com você. Quando você sumia. Quando parecia triste, eu passava o resto do dia pensando no motivo.
Anna lembrou daquela situação.
Ela havia pensado que ninguém sequer a notara.
Mas alguém tinha notado.
Ele.
— Eu nunca planejei que chegasse a esse ponto — continuou. — Quanto mais eu descobria sobre você… mais eu criava carinho. E quando percebi… já não era só curiosidade.
Ela respirou lentamente.
— Era o quê?
Ele demorou alguns segundos para responder.
— Eu já me importava com você mais do que deveria.
O silêncio voltou a dominar o lugar.
Anna não sabia o que sentir.
Medo.
Raiva.
Confusão.
E, ao mesmo tempo, uma estranha tristeza ao perceber que tudo aquilo havia começado por um simples acaso.
— Então tudo foi real?
Ele assentiu.
— Cada mensagem. Cada susto. Cada vez que eu apareci antes que algo ruim acontecesse.
Anna fechou os olhos.
As peças finalmente se encaixavam.
Nada havia sido coincidência.
Ele sempre estivera por perto.
Sempre observando.
E, pela primeira vez desde que aquela história começou, Anna percebeu que a verdade era muito mais complicada do que imaginava.
Ela não estava diante de um desconhecido qualquer.
Estava diante de alguém que a conhecia havia muito tempo.
Muito mais do que ela jamais poderia imaginar.
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Eu Sempre Estive Aqui