O Eco da Abismo: Capítulo 15 — O Supermercado e a Provocação

Miguel estava sentado tranquilamente na sorveteria do Sr. Chico, tomando uma casquinha de sorvete, enquanto conversava com a vendedora de chocolates.

Foi então que, quase por acaso, seus olhos atravessaram a rua e encontraram uma figura conhecida entrando no supermercado Bem Bem.

— Olha só quem apareceu… — comentou Miguel, sem tirar os olhos da porta do supermercado.

A vendedora de chocolates acompanhou seu olhar e imediatamente entendeu de quem ele estava falando.

Ela já conhecia toda aquela história. Sabia exatamente o que havia acontecido e, principalmente, sabia que aquela situação ainda estava longe de terminar.

Com um sorriso provocador, ela disse:

— Então vamos lá. Só para provocar…

Miguel não precisou ouvir duas vezes.

Os dois atravessaram a rua e entraram no Supermercado Bem Bem como quem não queria absolutamente nada.

Foram direto às prateleiras e compraram apenas duas coisas: uma Coca-Cola Zero e um Guaraná Antarctica.

Mas, naquele momento, não eram as compras que importavam.

A presença deles já havia sido percebida.

A falsa Alzira, que estava dentro do supermercado, imediatamente notou Miguel.

E seu semblante mudou.

Ela tentou agir naturalmente, mas seu desconforto era evidente. No caixa, enquanto aguardava para pagar, mantinha os olhos fixos na rua, como se estivesse extremamente interessada no movimento do lado de fora.

Mas ninguém acreditava naquela encenação.

A vendedora de chocolates percebeu.

E começou a rir.

O simples som daquela risada pareceu aumentar ainda mais a tensão.

A falsa da Alzira ficou ainda mais desconfortável.

Sem saber exatamente o que fazer, virou-se rapidamente para trás, fingiu procurar alguma coisa e caminhou até uma das prateleiras.

Era apenas uma tentativa de disfarçar.

Uma tentativa que não enganava ninguém.

Depois de alguns instantes, ela finalmente voltou ao caixa, pagou suas compras e saiu.

Passou pela porta com o pescoço erguido, sem dizer uma única palavra.

Mas, por trás daquela postura, havia algo que não conseguia esconder.

Ela estava completamente perdida.

Desconcertada.

Desconfortável.

Porque, naquele instante, percebeu que talvez tivesse provocado a pessoa errada.

Afinal, ela sabia que havia mexido justamente com a única pessoa com quem jamais deveria ter mexido.

E aquela ida ao supermercado, que deveria ser apenas mais uma situação banal do dia, havia se transformado em um aviso silencioso.

O jogo ainda não tinha terminado.

Na verdade…

Talvez estivesse apenas começando.

O Xeque-Mate era de Miguel e Alzira não tinha por onde correr.

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