Era domingo, e o Fantasminha branquinho já estava mentalmente preparado para cumprir sua missão: fazer aquele treino na academia Panobianco e terminar o fim de semana com a sensação de dever cumprido.
Como de costume, antes de ir para a academia, ele passou na loja de chocolates Wonka’s, em Guaratata. Afinal, não existia treino sem um bom pré-treino.
— Um croissant, por favor! — pediu o Fantasminha branquinho, já imaginando o sabor daquele croissant quentinho.
Lady Sofia estava no meio da produção dos chocolates e dos croissants. Naquele dia, porém, a produção estava completamente atrasada.
Enquanto esperava, o Fantasminha finalmente recebeu seu croissant e começou a comer tranquilamente.
Mas a paz durou pouco.
Toda hora, a porta da Wonka’s se abria e entrava o mesmo indivíduo, exalando um cheiro bastante desagradável.
Ele entrava, olhava para os lados e, de alguma forma, parecia acreditar que a loja de chocolates era uma assistência técnica.
— Vocês conseguiu por meu whatsapp.
– Você conseguiu por chip.
O Fantasminha branquinho olhou para ele, com olhar descontente e pensou:
“Isso aqui é uma loja de chocolates…”
O indivíduo, porém, parecia não aceitar a informação. Saía, voltava alguns minutos depois, bufava, resmungava e reclamava de tudo.
— Aff…
— Hmmm…
— Que demora…
— Ninguém resolve nada…
E, cada vez que ele entrava, o Fantasminha branquinho tentava continuar comendo seu croissant, mas acabava olhando para o relógio e para a porta, completamente sem entender aquela situação.
— Eu só queria comer meu croissant em paz…
Lady Sofia continuava correndo com a produção, tentando dar conta de tudo.
— Só mais alguns minutinhos! — disse ela.
O Fantasminha olhou para o relógio.
Esperou.
Esperou mais um pouco.
E esperou novamente.
Enquanto isso, o indivíduo entrava e saía da loja, sempre bufando e resmungando, como se estivesse esperando alguém consertar um aparelho ali.
Finalmente, o Fantasminha terminou seu croissant.
Olhou novamente para o relógio.
Foi aí que percebeu o desastre.
— Não acredito…
O horário do treino de domingo estava praticamente perdido.
Depois de toda a preparação, do pré-treino e da expectativa de fazer aquele treino, simplesmente não havia mais tempo.
O treino estava oficialmente frustrado.
Sem outra alternativa, o Fantasminha branquinho deu meia-volta e começou a caminhar para casa.
No caminho, ele pensava em tudo que havia acontecido.
O croissant.
O indivíduo que achava que a Wonka’s era uma assistência técnica.
Os bufos.
Os resmungos.
E, principalmente, o treino de domingo que não aconteceu.
Ao chegar em casa, ele suspirou profundamente.
— Pelo menos o croissant estava bom.
E assim terminou seu domingo: sem treino, com a academia ficando para o próximo dia.
Mas uma coisa era certa: naquele domingo, o treino foi frustrado antes mesmo de começar.
Tags:
Um Treino de Domingo