A escritora, jornalista, palestrante, ativista e organizadora americana Gloria Steinem morreu na quarta-feira (2), aos 92 anos, em sua casa, em Nova York. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (3) por sua fundação e pelas redes sociais oficiais da ativista. Segundo o comunicado, ela morreu pacificamente, cercada por pessoas próximas. A causa da morte não foi divulgada.
Considerada uma das figuras mais importantes do movimento feminista nos Estados Unidos, Steinem dedicou mais de cinco décadas à luta pela igualdade de gênero e pelos direitos civis e reprodutivos das mulheres. Sua atuação ajudou a transformar debates sobre as condições das mulheres em temas centrais da sociedade americana e inspirou diferentes gerações de ativistas.
Uma das principais vozes do feminismo
Nascida em 25 de março de 1934, em Toledo, Ohio, Gloria Marie Steinem iniciou sua carreira como jornalista. Ainda nos primeiros anos de sua trajetória profissional, destacou-se por reportagens que abordavam questões relacionadas às mulheres e às desigualdades existentes na sociedade.
Um de seus trabalhos mais conhecidos foi a reportagem investigativa “A Bunny’s Tale”, publicada em 1963, na qual trabalhou disfarçada como coelhinha da Playboy para investigar as condições enfrentadas pelas funcionárias dos clubes da Playboy. A experiência ajudou a consolidar sua reputação como jornalista disposta a investigar temas controversos.
A partir do final dos anos 1960, Steinem passou a assumir cada vez mais protagonismo no movimento feminista. Em 1969, após cobrir uma reunião sobre direitos ao aborto, sua atuação em defesa dos direitos reprodutivos ganhou ainda mais força.
A criação da Ms. Magazine
Um dos maiores legados de Gloria Steinem foi a criação da Ms. Magazine, publicação que ajudou a dar espaço nacional às pautas feministas.
Lançada em 1972, a revista tornou-se uma importante plataforma para discutir temas como violência doméstica, igualdade de gênero, direitos reprodutivos e outras questões que, naquele período, ainda eram frequentemente ignoradas pela grande imprensa. Steinem permaneceu ligada à publicação durante décadas e posteriormente continuou como editora consultiva.
A própria Ms. descreve sua importância histórica como a primeira revista nacional a tornar vozes feministas mais audíveis e o jornalismo feminista mais presente no debate público.
Além do jornalismo
A atuação de Steinem ultrapassou as páginas de revistas e jornais. Em 1971, ela ajudou a fundar a National Women’s Political Caucus, organização criada para ampliar a participação das mulheres na política e apoiar candidatas comprometidas com a igualdade de gênero.
Ao longo da carreira, também participou da criação e do fortalecimento de diversas organizações dedicadas aos direitos das mulheres e à justiça social, tornando-se uma das principais lideranças da chamada segunda onda do feminismo americano.
Steinem também escreveu diversos livros, entre eles My Life on the Road, autobiografia publicada em 2015, na qual revisitou sua vida, suas viagens e décadas de ativismo. Sua trajetória também foi retratada no cinema no filme The Glorias, lançado em 2020 e dirigido por Julie Taymor.
Um legado que atravessou gerações
Mesmo com o passar das décadas, Gloria Steinem continuou ativa. Ela seguiu viajando, participando de eventos, escrevendo e falando publicamente sobre igualdade, direitos das mulheres e justiça social até idade avançada.
Em 2013, recebeu do então presidente americano Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, uma das maiores honrarias civis dos Estados Unidos, em reconhecimento à sua contribuição para os direitos das mulheres e para a sociedade.
Sua influência também alcançou a cultura popular. Sua vida e seu trabalho foram retratados em produções como The Glorias, além de documentários e peças teatrais dedicados à sua trajetória.
Despedida
O comunicado divulgado após sua morte destacou que Steinem continuou trabalhando pela igualdade até o fim da vida. A mensagem também ressaltou sua capacidade de ouvir outras pessoas e fazê-las se sentirem vistas e acolhidas.
Em vez de flores, Steinem havia pedido que aqueles que desejassem homenageá-la realizassem doações para a Gloria’s Foundation.
A morte de Gloria Steinem encerra a trajetória de uma das personalidades mais marcantes do feminismo americano. Seu trabalho como jornalista, escritora e ativista ajudou a colocar a igualdade de gênero, os direitos civis e os direitos reprodutivos no centro do debate público — e seu pensamento continuará influenciando novas gerações.