O Rock in Rio se pronunciou após o ator João Victor Gonçalves, intérprete de Mau Mau na novela Quem Ama Cuida, denunciar ter sido hostilizado e perseguido no entorno do festival. O artista classificou o episódio como um ataque homofóbico e aproveitou a repercussão para cobrar melhorias na segurança nas proximidades da Cidade do Rock.
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e mobilizou artistas, autoridades e o próprio festival. A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), abriu uma investigação após tomar conhecimento do episódio.
João Victor Gonçalves relata medo durante abordagem
Segundo relatos e imagens que circularam nas redes sociais, João Victor Gonçalves foi abordado por um grupo enquanto caminhava nas imediações do Rock in Rio. O ator teria sido seguido e alvo de comentários depreciativos sobre sua aparência e suas roupas.
O episódio foi registrado durante uma transmissão ao vivo e rapidamente passou a repercutir nas redes sociais. Em seu desabafo, João Victor afirmou que inicialmente tentou apenas seguir seu caminho e acelerar o passo, mas depois percebeu a gravidade da situação.
O ator contou que sentiu medo de que a abordagem pudesse se transformar em algo ainda mais grave. Segundo ele, naquele momento, chegou a temer inclusive ser vítima de um assalto.
Ator classifica episódio como ataque homofóbico
Após assistir às imagens e refletir sobre o que havia acontecido, João Victor Gonçalves afirmou acreditar que foi vítima de um ataque homofóbico.
O artista fez um paralelo entre sua experiência pessoal e a trajetória de Mau Mau, personagem que interpreta em Quem Ama Cuida. Na trama, o personagem enfrenta situações relacionadas ao preconceito e à homofobia, algo que acabou tornando o episódio ainda mais impactante para o ator.
João Victor recebeu uma grande quantidade de mensagens de apoio após publicar seu relato. Diversos artistas e colegas se manifestaram publicamente em defesa do ator e reforçaram a mensagem de que homofobia não deve ser tratada como entretenimento.
Cobrança por mais segurança no entorno do festival
Em outro vídeo publicado nas redes sociais, João Victor aproveitou a repercussão para fazer um pedido direto ao Rock in Rio.
O ator questionou a segurança nas áreas próximas ao evento e afirmou que imaginava estar em um local onde pudesse caminhar com tranquilidade até chegar ao festival.
Para ele, o episódio serve como um alerta sobre a necessidade de ampliar a sensação de segurança para o público também durante o trajeto de chegada e saída da Cidade do Rock.
A manifestação do ator gerou um debate sobre os limites da responsabilidade de grandes eventos e sobre a segurança nas áreas públicas localizadas em seus arredores.
Rock in Rio responde e esclarece responsabilidade pela segurança
Em nota, a organização do Rock in Rio afirmou repudiar qualquer forma de violência, assédio, discriminação ou preconceito.
O festival também destacou seu compromisso com a diversidade e informou que mantém equipes de segurança privada dentro do perímetro sob sua responsabilidade.
Segundo a organização, porém, o episódio envolvendo João Victor Gonçalves aconteceu fora da área abrangida pela operação de segurança privada do evento. Os espaços públicos localizados no entorno seriam responsabilidade dos órgãos competentes de segurança pública.
O Rock in Rio ainda afirmou manter iniciativas de combate à discriminação e reforçou que atitudes preconceituosas são incompatíveis com os valores defendidos pelo festival.
Festival recomenda utilização dos transportes oficiais
Além de responder à denúncia, o Rock in Rio orientou o público a priorizar os meios de transporte oficiais disponibilizados para o evento.
Entre as recomendações está o uso do BRT, que permite que os passageiros desembarquem em pontos mais próximos das entradas e das áreas controladas pela operação do festival.
A orientação busca reduzir a necessidade de longos trajetos a pé pelas áreas externas e facilitar o acesso do público à Cidade do Rock.
Streamer nega preconceito e pede desculpas
O streamer envolvido no episódio também se pronunciou após a repercussão negativa do caso. Ele pediu desculpas pela abordagem, mas negou ter agido por preconceito.
Segundo sua versão, os comentários e a abordagem teriam sido feitos com a intenção de gerar entretenimento durante a transmissão ao vivo. A justificativa, no entanto, foi criticada por internautas e por pessoas que saíram em defesa de João Victor.
O ator mantém sua avaliação de que foi vítima de um ataque homofóbico e afirmou que situações como essa não podem ser normalizadas ou utilizadas como conteúdo para gerar audiência nas redes sociais.
Caso motivou pedido de investigação
A repercussão do episódio também chegou às autoridades. A deputada Erika Hilton pediu que o caso fosse investigado, enquanto a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que a Decradi iniciou uma investigação após tomar conhecimento das imagens e dos relatos divulgados publicamente.
O caso reacendeu o debate sobre homofobia, violência e os limites do chamado “entretenimento” produzido para transmissões e redes sociais.
Enquanto as investigações seguem, João Victor Gonçalves recebeu uma onda de solidariedade e voltou ao Rock in Rio, onde foi acolhido por colegas e pelo público após a repercussão do episódio.
Um episódio que vai além do festival
A manifestação do Rock in Rio deixou claro que o incidente aconteceu fora do perímetro atendido pela segurança privada do evento. Ainda assim, a denúncia feita por João Victor Gonçalves levantou uma discussão importante sobre a proteção do público nos trajetos de chegada e saída de grandes eventos.
O episódio também chamou atenção para os riscos de transformar a humilhação e a perseguição de pessoas em conteúdo para transmissões ao vivo.
Para João Victor, o caso deixou uma mensagem clara: o medo e o constrangimento vividos por uma pessoa não podem ser tratados como entretenimento. Agora, a investigação deverá analisar as circunstâncias da abordagem e determinar se houve crime no episódio que ganhou repercussão nacional.
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