Sinopse
Por trás da aparência quase impecável, porém, existe uma mulher falsa, amarga, movida por fofocas, mentiras e pelo hábito constante de falar mal dos outros para terceiros.
Durante anos, Alzira alimentou intrigas e confusões sem perceber o tamanho das consequências… até cometer um grave erro.
Ao tentar manipular Miguel Duarte, um homem misterioso, eventos estranhos começam a surgir em sua vida. Pequenos acontecimentos se transformam em situações cada vez mais perturbadoras, enquanto segredos vêm à tona e sua imagem irá desmoronar.
Entre eles, surgem denúncias e descobertas que ninguém jamais imaginaria: Irregularidades Fiscais, problemas com a Receita Federal e até seu apoio a uma condenada por pedofilia vem a tona.
Mas o que mais a destrói… são as próprias palavras — fofocas e mentiras que ela nunca imaginou que um dia seriam expostas.
Mas o verdadeiro terror não está na cidade…
está dentro dela.
Em um mergulho profundo nas consequências das próprias atitudes, Alzira será forçada a encarar algo que sempre evitou:
a verdade.
E, quando a máscara finalmente cai…
já é tarde demais.
Capítulo 1: A Máscara de Vidro
Na pequena cidade de Vale Seco, quase ninguém passava despercebido. Ali, todo mundo sabia da vida de todo mundo, ou pelo menos acreditava saber. E entre tantos nomes conhecidos, poucos provocavam opiniões tão divididas quanto Alzira Monteiro.
Alguns diziam que ela era uma senhora educada, prestativa, daquelas que ofereciam café e sorriam na sua frente escondendo deboche por trás. Outros, porém, mudavam de expressão só de ouvir seu nome. Não sabiam explicar exatamente o motivo, mas havia nela alguma coisa que incomodava. Algo que parecia falso. Como um perfume doce demais, que da ansia depois de alguns minutos.
Alzira gostava de circular pela cidade com a postura de quem era respeitada. Na padaria, falava manso. Na farmácia, tratava os atendentes com uma gentileza impecável. Mas bastava virar a esquina para comentar sobre outra pessoa. Alzira tinha o casamento fracassado e sempre precisa inventar uma suposta vida torta para alguém que nem estava ali para se defender.
Ela vivia disso: de observar, recolher informações da vida alheia e redistribuir tudo em forma de veneno. Nunca de modo escancarado. Alzira não era de escândalos. Sua crueldade vinha em voz baixa, em conselho falso, em preocupação inventada.
E assim fazia. Plantava uma dúvida aqui, uma suspeita ali, um comentário distorcido acolá. Depois assistia tudo de longe, como quem não tinha nada a ver com o incêndio que acabara de acender.
Morava sozinha com um homem estranho que não a amava numa casa antiga na Rua das Acácias, uma casa rodeada de muros. Dizia que apreciava privacidade.
Naquela semana, Vale Seco parecia mais abafada do que o normal. O calor grudava na pele, os cachorros latiam sem motivo e uma sensação estranha tomava conta das ruas ao anoitecer. Mas Alzira não notava o peso do ar. Estava ocupada demais fazendo o que sempre fez: se metendo onde não era chamada.
Na quinta-feira à tarde, sentada com uma xícara de café, ela observou Miguel Duarte atravessando a rua.
Miguel era um homem reservado. Não falava demais, não dava intimidade, não se explicava para ninguém. Havia algo nele que não combinava com Vale Seco. Não por ser estranho, mas por parecer completamente imune à curiosidade dos outros. Isso, para Alzira, era quase uma afronta.
Ela já tinha tentado colher informações sobre ele com diversas pessoas. Quase nada conseguiu. Nenhum passado claro. Nenhum detalhe íntimo. Nenhum escândalo para mastigar.
E isso a incomodava profundamente.
Naquela tarde, vendo Miguel passar em silêncio, Alzira sorriu sozinha.
— Vamos ver quanto tempo você dura sem ser assunto nesta cidade — murmurou.
Foi ali, sem saber, que ela começou a cavar a própria queda.
Em breve: Capítulo 2

