No capítulo anterior: Os ataques se intensificam e deixam de atingir só Alzira, passando a alcançar toda a família. Célio se torna o novo alvo, com contas invadidas e erros do passado vindo à tona.
Dentro de casa, o clima é de pressão e desgaste. Já não parece um ataque… mas um processo inevitável que está desmontando tudo, sem chance de controle ou fuga.
Capítulo 7 – Parte 1: O Inferno Começa
Nos dias seguintes, Alzira Monteiro deixou de ser apenas uma mulher em decadência…
ela passou a ser alguém sendo consumido por algo que não conseguia mais controlar.
Mas, diferente do que todos imaginavam…
ela não parou.
Alzira continuou indo trabalhar e passava o dia sozinha em sua loja.
Todos os dias.
A rotina… era a única coisa que ainda restava.
Alzira começou a espalhar que Miguel falava mal dela enquanto mantinha o hábito de abrir a loja da família no mesmo horário, varrer a entrada e organizar tudo como se nada estivesse acontecendo.
Mas tudo estava.
Os vizinhos sabiam.
Agora… todos sabiam.
As histórias tinham se espalhado.
As fofocas — ironicamente — tinham voltado para ela.
Mas dessa vez… com prova.
Na loja ao lado, dois homens comentavam, sem se importar em abaixar a voz:
— É ela…
— Aquela mesmo… da Receita…
Do outro lado da rua, uma mulher ria:
— Sempre achei ela estranha.
Outro completava:
— Não era impressão não…
Alzira fingia não ouvir.
Mas ouvia tudo.
Cada palavra.
Cada riso.
Cada olhar atravessado.
E isso a obrigava a trabalhar… mais.
Como se esforço pudesse apagar o que já estava exposto.
Ela se ocupava em dobro.
Organizava, limpava, rearrumava, atendia com uma gentileza forçada, quase desesperada.
Mas ninguém comprava mais como antes.
Alguns evitavam entrar.
Outros entravam… só para observar.
Ela tinha virado assunto.
E agora… espetáculo.
À noite… o inferno continuava.
As vozes em sua cabeça não pararam.
Pelo contrário.
Ficaram mais claras.
Mais próximas.
Mais reais.
“Eu só estou te contando porque me preocupo…”“Não espalha, tá?”“Você não ouviu isso de mim…”
Mas agora… vinham carregadas de dor.
De peso.
De consequência.
Alzira passou a dormir com todas as luzes acesas.
Com a televisão ligada.
Mas o descanso… não vinha.
Numa madrugada, ao atravessar o corredor, os espelhos começaram a mudar.
Um a um.
E, em cada reflexo… não era mais ela.
Eram pessoas.
Gente que ela colocou uma contra a outra.
Gente que sofreu por causa das mentiras dela.
Todos ali.
Parados.
Observando.
Sem falar.
— Eu não fiz nada… — ela repetia, recuando.
Mas sua própria voz… já não sustentava mais nada.
Naquela noite, ela caiu de joelhos na sala.
E então sentiu.
De verdade.
Cada palavra… voltando.
Cada mentira… pesando.
Cada fofoca… cortando.
Como se estivesse vivendo tudo — só que agora do outro lado.
— Para… por favor… — ela implorava.
Mas não havia resposta.
Não havia pausa.
Não havia saída.
A casa parecia diferente.
Maior.
Mais escura.
Mais profunda.
Como se tivesse deixado de ser um lugar… e se tornado um estado.
E enquanto Alzira afundava nisso…
algo acontecia fora dali.
Em silêncio.
Sem testemunhas.
Sem erro.
Capítulo 7: Parte 2 – Mesária Eleitoral
Em um sistema frio e impessoal…
nomes foram registrados.
Alzira Monteiro.
Célio Tontin Medroso.
Adalberto Careca.
Inscritos como mesários voluntários nas eleições de 2026.
Sem aviso.
Sem escolha.
Sem que soubessem.
Ainda.
Na sala, Alzira continuava no chão.
Tremendo.
Chorando.
Sentindo.
Sem entender.
Porque o pior…
ainda não tinha chegado.
Mas o que ela ainda não sabia…
era que o inferno dela
não ia ficar só dentro da cabeça.
Em breve capitulo 8
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