No capítulo anterior: Após uma breve sensação de paz, as invasões retornam ainda mais fortes, atingindo Alzira e seu filho. Contas são bloqueadas e documentos começam a expor segredos e irregularidades do passado.
Enquanto rumores se espalham por Vale Seco e sua imagem desmorona, Alzira percebe que não é mais apenas um ataque… mas o início de sua queda — sem chance de escapar. Leia o Capítulo completo Aqui
Capítulo 6 – Parte 2: O Alvo Se Amplia a Célio Tontin
A tarde de domingo chegou pesada.
O silêncio da manhã já não existia mais.
Dentro da casa, o clima era de tensão constante, como se o ar tivesse ficado mais denso… mais difícil de respirar.
Foi quando começou.
O celular de Célio Tontin Medroso vibrou.
Uma vez.
Depois outra.
E outra.
Ele franziu a testa.
— Que que é isso agora…?
Pegou o aparelho.
Códigos.
Mensagens automáticas.
Alertas de segurança.
Tentativas de acesso.
WhatsApp.
E-mail.
Redes sociais.
Tudo ao mesmo tempo.
— Alzira! — gritou, já com a voz tremendo. — Olha isso aqui!
Ela virou na hora.
E entendeu.
Não era coincidência.
Não era erro.
Não era fase.
Era contínuo.
Era direcionado.
Era pessoal.
Miguel.
Mais uma vez.
Enquanto aquela família tentava encontrar um mínimo de paz… ele já estava agindo.
Observando.
Esperando.
Atacando.
E, dessa vez… o alvo era outro.
Célio começou a se desesperar.
— Estão entrando nas minhas contas!
As mãos tremiam.
A respiração curta.
Os olhos presos na tela, como se aquilo fosse engoli-lo.
Mas aquilo não era apenas invasão.
Era o começo de algo maior.
As notificações mudaram.
Agora não eram só códigos.
Eram alertas.
Mensagens diferentes.
Assuntos que Célio não via há anos…
Voltando à tona.
Receita Federal.
Pendências.
Irregularidades.
Um CNPJ antigo.
Abandonado.
Esquecido.
Ou pelo menos… era isso que ele acreditava.
Guias mensais não pagas.
Meses acumulados.
Anos ignorados.
Uma dívida crescendo em silêncio.
Agora prestes a se tornar dívida ativa.
— Não… não pode ser…
Ele passou a mão na cabeça, nervoso.
— Isso já tava parado… isso já tinha morrido…
Mas não tinha.
Nada tinha morrido.
Só estava esperando.
Alzira observava.
E, pela primeira vez, não soube o que dizer.
Porque agora não era só ela.
Não era só sua imagem.
Não era só sua reputação.
Era a família inteira.
Sendo puxada.
Exposta.
Desmontada.
Peça por peça.
O celular vibrou novamente.
Célio abriu.
Um e-mail.
Sem remetente identificável.
Sem origem clara.
Apenas um anexo.
Ele hesitou.
Mas abriu.
Dentro, uma mensagem simples:
“Você também achou que tinha ficado no passado?”
Célio congelou.
O olhar perdeu o foco.
— Alzira…
Ela já sabia.
Nem precisava perguntar.
Naquele momento, tudo ficou claro.
Aquilo não ia parar.
Não era um ataque.
Era um processo.
Lento.
Calculado.
Frio.
Cada detalhe sendo exposto no tempo certo.
Cada erro sendo puxado quando mais doía.
Cada mentira sendo devolvida.
Miguel não queria apenas atingir.
Ele queria destruir.
Não de uma vez.
Mas aos poucos.
Até não sobrar nada.
O restante da tarde passou arrastado.
Ninguém falava muito.
Cada um preso no próprio silêncio, tentando entender o tamanho do problema que começava a se revelar.
O clima dentro da casa já não era só de medo.
Era de desgaste.
Cansaço.
Pressão constante.
Como se não houvesse mais espaço para respirar.
Quando a noite chegou, Alzira tentou mudar o rumo das coisas.
— A gente precisa distrair a cabeça — disse, forçando uma normalidade que já não existia.
Célio concordou com um aceno fraco.
Adalberto nem respondeu.
Ligaram a televisão.
Tentaram assistir alguma coisa.
Riram… ou pelo menos tentaram.
Conversaram.
Forçaram leveza.
Mas nada encaixava.
Nada fluía.
Nada parecia real.
O celular de Célio estava sobre a mesa.
Cada vibração fazia o coração acelerar.
Cada notificação era um aviso.
Não havia pausa.
Não havia descanso.
Em um momento de frustração, Célio levantou, abriu uma gaveta e pegou um comprimido.
Depois outro.
Olhou por alguns segundos.
Engoliu com água.
Tentando acalmar o corpo.
A mente.
O desespero.
Mas não adiantava.
Nem um TADALA era capaz de resolver o problema de Célio.
Alzira observava.
E aquilo a irritava profundamente.
Não só pela situação.
Mas pela impotência.
Pela falta de controle.
Pela primeira vez…
Nada do que ela fazia funcionava.
Nada do que ela dizia resolvia.
Nada do que ela manipulava mudava a realidade.
O silêncio voltou.
Mais pesado.
Mais sufocante.
Mais definitivo.
No fundo, eles sabiam.
Aquilo não era coincidência.
Não era azar.
Não era perseguição.
Era consequência.
E enquanto a televisão seguia ligada…
Sem que ninguém realmente prestasse atenção…
Em algum lugar da cidade…
Miguel já preparava o próximo passo.
Porque aquilo ainda estava longe de acabar.
Muito longe.
Em breve capitulo 7
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O Eco do Abismo
