No capítulo anterior: Alzira tentou seguir com a rotina e manter a loja aberta, mas sua queda já havia se tornado pública: a cidade inteira comentava seu nome, e as mentiras que espalhou voltaram contra ela com força. Em casa, o tormento psicológico se intensificou, consumindo-a entre culpa, vozes e reflexos do passado, enquanto, em silêncio, um novo golpe era preparado: Alzira, Célio e Adalberto foram registrados como mesários voluntários nas eleições de 2026, sem que soubessem.
Capítulo 8 – O Eco se Espalha
A manhã de segunda-feira amanheceu abafada em Vale Seco.
O céu estava cinza, o ar pesado, e as ruas ainda carregavam aquele silêncio típico das primeiras horas do dia.
Miguel Duarte caminhava em direção à academia, como fazia quase todos os dias.
Passou pelas ruas, atravessou a esquina da Rua do Comércio e seguiu pelo caminho que descia logo abaixo do Clube do Sabão, onde algumas lojas já começavam a abrir as portas.
Foi então que avistou Lu da Película 9D.
Aquele não era seu trabalho — era apenas um apelido antigo que pegou na cidade depois de uma confusão envolvendo um celular e uma película que ela insistia em dizer ser “inquebrável”. Desde então, o nome ficou.
Lu estava parada na porta da papelaria, fazendo fofoca como sempre, observando o movimento da rua.
— Bom dia, Miguel — disse ela.
— Bom dia, Lu.
Ela estreitou os olhos.
— Tá sabendo da Alzira?
Miguel parou por um instante.
— Mais do que muita gente imagina.
Lu soltou um riso curto.
— Aquela mulher sempre foi problema.
Miguel a observou em silêncio.
— Você nem imagina o quanto.
Lu se aproximou um pouco mais, claramente curiosa.
— O que aconteceu agora?
Miguel olhou para a rua vazia, como se escolhesse cada palavra.
— A máscara dela caiu de vez.
As mentiras… as fofocas… as irregularidades… tudo começou a aparecer.
Lu balançou a cabeça.
— Eu sabia.
Miguel continuou, calmo:
— E isso não é tudo.
Ela levantou a sobrancelha.
— Tem mais?
— Em breve ela vai descobrir uma coisa que ainda não sabe.
— O quê?
Miguel respondeu, seco:
— Ela, o marido Célio e o filho Adalberto Careca foram cadastrados como mesários nas eleições de 2026.
Lu arregalou os olhos.
Por um segundo ficou em silêncio.
Depois soltou uma risada incrédula.
— Meu Deus…
Balançou a cabeça olhando na direção da rua da loja de Alzira.
— A Alzira é louca.
Fez uma pausa.
— Aquela mulher não bate bem faz tempo.
Miguel não respondeu.
Apenas manteve o olhar fixo na direção da loja.
A porta ainda estava fechada.
Mas ele sabia.
Lá dentro, o inferno já havia começado.
Lu continuou:
— Ela sempre foi falsa… sempre inventando coisa dos outros.
Olhou para Miguel.
— Agora é a cidade inteira falando dela.
Miguel respondeu, sem mudar a expressão:
— E com razão.
Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos.
Ao longe, o som metálico da porta de aço começou a ecoar.
Era a loja de Alzira.
A porta subia lentamente.
Rangendo.
Pesada.
Como se até o ferro estivesse cansado.
Lu que conhecia Miguel desde criança soltou um riso de canto.
— Vamos ver quanto tempo ela aguenta.
Miguel ajeitou a mochila no ombro que carregava suas coisas da academia.
— Menos do que imagina.
Sem dizer mais nada, ele seguiu em direção à academia.
Atrás dele, Vale Seco despertava.
E junto com a cidade…
o eco da queda de Alzira Monteiro continuava se espalhando.
Mas a pior notícia ainda não tinha chegado.E quando chegasse…não haveria mais volta.
Em breve capítulo 9
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O Eco do Abismo
