Eu Sempre Estive Aqui: Capítulo 1 — Ele Nunca Saiu

O caos teve nome.

Mas ninguém percebeu na hora.

O grupo da série You não acabou por acaso. No começo, parecia só mais uma discussão comum — opiniões diferentes, teorias exageradas, aquele tipo de atrito que sempre acontecia.

Até que deixou de ser normal.

Mensagens antigas começaram a aparecer do nada. Prints vazados. Conversas privadas sendo expostas no momento exato para causar desconforto. Pequenos detalhes… que só alguém muito próximo poderia saber.

E então vieram os boatos.

Infidelidade.

Traição.

Relacionamentos escondidos entre membros.

Mentiras sendo reveladas como se alguém estivesse… esperando o momento perfeito para soltar tudo.

As discussões cresceram rápido demais. Pessoas se atacando, áudios carregados de raiva, acusações diretas. O grupo virou um lugar pesado, sufocante.

Anna assistia tudo aquilo com um nó no estômago.

Porque havia algo errado.

Aquilo não parecia espontâneo.

Parecia… conduzido.

Depois que tudo acabou — porque acabou rápido demais —, o silêncio veio acompanhado de uma dúvida que não queria ir embora.

Quem tinha feito aquilo?

Dias depois, conversando com alguns ex-membros, a verdade começou a tomar forma.

Não foi um estranho.

Não foi alguém de fora.

Foi alguém de dentro.

Uma ex-amiga.

Alguém que já esteve próxima de Anna.

Alguém que sabia demais.

O padrão começou a fazer sentido.

Só aquela pessoa saberia certas coisas.

Só ela teria acesso às conversas que foram expostas.

Só ela saberia exatamente onde machucar.

E, mais assustador ainda…

Ela nunca se mostrou diretamente.

Ficou nas sombras.

Movendo tudo.

Assistindo o grupo se destruir… por causa dela.

Anna não quis acreditar no começo.

Mas no fundo…

Sabia.

E foi isso que a fez tomar uma decisão.

Se alguém destruiu aquele grupo…

Ela criaria outro.

Do zero.

Do jeito certo.

Sem erros.

Sem pessoas assim.

O novo grupo nasceu pelas mãos de Anna.

Mais organizado.

Mais controlado.

Mais… seguro.

Ou pelo menos era o que ela acreditava.

Porque o que Anna não sabia…

Era que aquele não era o único perigo.

Entre os novos membros…

Havia alguém que não estava ali por acaso.

Ele.

Diferente da ex-amiga, ele não queria destruir.

Ele queria algo muito mais silencioso.

Muito mais próximo.

Outro número.

Outro nome.

Outra identidade.

Mas os mesmos olhos atentos.

Ele não falava muito no grupo.

Não se envolvia em conflitos.

Não chamava atenção.

Ele apenas observava.

Como sempre fez.

E, dessa vez…

Ainda mais perto.

Para Anna, aquilo era só um recomeço.

Para ele…

Era uma continuação.

Ele acompanhava tudo.

Os horários em que Anna aparecia.

A forma como ela escrevia.

As pessoas com quem ela interagia mais.

Os momentos em que ela ficava mais quieta.

Cada detalhe.

Cada padrão.

Cada pequena mudança.

Ele já sabia muito sobre ela.

Mas agora…

Queria mais.

Os dias passaram assim.

Silenciosos.

Quase normais.

Até que algo aconteceu.

Durante uma conversa qualquer no grupo, um dos membros comentou:

— “Mano… acho que tem alguém me stalkeando aqui”

Alguns riram.

Outros fizeram piada.

Mas Anna respondeu.

E foi o suficiente.

Ele viu.

E entendeu.

Era o momento.

Naquele mesmo dia…

Ele mandou mensagem.

No privado.

Simples.

Educado.

Inofensivo.

Um “oi” comum.

Um comentário leve.

Nada que levantasse suspeitas.

E funcionou.

Anna respondeu.

Sem pensar.

Sem desconfiar.

A conversa foi curta.

Morreu rápido.

Nada importante.

Nada memorável.

Para ela.

Dias depois…

Outra mensagem.

Depois outra.

Sempre no tempo certo.

Sempre no limite exato.

Anna respondia.

Mas não se importava.

Para ela, ele era só mais um.

Até que veio a pergunta.

— “Você lembra de mim?

Anna leu.

Pensou.

E respondeu:

— “Não…

E, naquele momento…

Algo quebrou.

Porque aquilo não era só uma resposta.

Era uma negação.

De tudo que ele já tinha construído em silêncio.

De cada detalhe que ele sabia sobre ela.

De cada momento em que esteve presente…

Sem ser visto.

Ele demorou para responder.

Mas não porque não sabia o que dizer.

E sim porque precisava se controlar.

Porque, pela primeira vez…

Algo não saiu como planejado.

Mas ele não recuou.

Ele nunca recuava.

As mensagens continuaram.

Mais presentes.

Mais frequentes.

Mais… inevitáveis.

E, com o tempo…

Anna começou a notar.

Não completamente.

Mas o suficiente.

Ela começou a lembrar dele.

Da forma como ele aparecia sempre.

Das conversas.

Da sensação estranha de familiaridade.

Como se já o conhecesse…

Mesmo sem lembrar de onde.

E isso…

Era exatamente o que ele queria.

Porque enquanto Anna acreditava que estava conhecendo alguém novo…

Ela estava, na verdade…

Se aproximando de alguém que já a conhecia há muito tempo.

E o mais perturbador de tudo…

É que a pessoa que destruiu o antigo grupo…

Queria causar caos.

Mas ele…

Queria Anna.

E dessa vez…

Ele não estava longe.

Ele estava dentro.

Do grupo.

Da rotina.

Da vida dela.

E Anna ainda não fazia ideia…

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