Eu Sempre Estive Aqui: Capítulo 3 — Quanto Mais Perto

Depois daquela conversa…

Nada voltou a ser normal.

Anna tentou ignorar.

Sério.

Ela disse a si mesma que aquilo não era tão estranho assim. Que talvez ele só tivesse boa memória. Que talvez estivesse exagerando.

Mas havia um problema.

Ele não parecia alguém “normal”.

Ele parecia alguém… que sabia demais.

Mesmo assim…

Ela não se afastou.

No dia seguinte, ele mandou mensagem.

Como se nada tivesse acontecido.

— “Bom dia

Simples.

Leve.

Quase irritantemente normal.

Anna ficou olhando a mensagem por alguns segundos.

Parte dela queria ignorar.

Outra… respondeu.

— “Bom dia

E foi assim que começou.

De verdade.

As conversas começaram a ficar mais longas.

Mais frequentes.

Mais… próximas.

Ele não tocava mais diretamente no assunto do grupo antigo.

Nem nos detalhes estranhos.

Nem no fato de saber coisas que não deveria.

Era como se aquilo nunca tivesse acontecido.

Mas Anna não esqueceu.

Ela só… fingiu esquecer.

E, aos poucos…

Aquilo foi ficando mais fácil.

Ele era bom.

Muito bom.

Sabia conduzir a conversa.

Sabia quando ser engraçado.

Quando ser sério.

Quando ouvir.

Quando falar.

E, acima de tudo…

Sabia como fazer Anna se sentir confortável.

— “Você sempre fica online esse horário?” — ele perguntou uma noite.

— “Quase sempre kkk, é quando fico mais tranquila

— “Faz sentido

— “Você parece mais calma de noite

Anna parou.

Leu de novo.

— “Como assim?

— “Sei lá… impressão

Ela não respondeu na hora.

Mas aquilo ficou.

Guardado.

Porque não era só uma impressão.

Ele estava certo.

E esse era o problema.

Os dias foram passando…

E ele foi se tornando presença constante.

Mensagens de manhã.

À tarde.

À noite.

Conversas sobre coisas simples.

Filmes.

Rotina.

Memes.

O grupo.

Pessoas.

E, sem perceber…

Anna começou a procurar por ele.

Se ele demorava pra responder…

Ela notava.

Se ele não aparecia…

Ela sentia.

E isso…

Era exatamente o que ele queria.

Porque, diferente do começo…

Agora ele não precisava mais forçar presença.

Ela puxava.

— “Sumiu hoje” — Anna mandou certa noite.

A resposta veio rápido.

— “Você sentiu falta?”

Ela travou por um segundo.

— “Talvez kkk

Do outro lado…

Aquilo foi o suficiente.

— “Eu tava ocupado

— “Mas pensei em você

Silêncio.

Anna não sabia por que…

Mas aquilo mexeu com ela.

Mais do que deveria.

E, pela primeira vez…

O desconforto e a curiosidade começaram a se misturar.

Porque ele ainda era estranho.

Ainda dizia coisas que não faziam sentido às vezes.

Ainda parecia saber mais do que deveria.

Mas…

Ele também era fácil de conversar.

Presente.

Atento.

E isso confundia tudo.

— “Você é meio estranho às vezes” — ela mandou, tentando brincar.

Ele demorou um pouco.

E então respondeu:

— “Estranho ruim?

— “Não… só estranho

Mais alguns segundos.

— “Mas você continua falando comigo

Anna sorriu de leve.

Mesmo sem perceber.

— “Continuo

E ali…

Sem perceber…

Ela deu mais um passo.

Porque o medo não tinha desaparecido.

Ele só…

Tinha aprendido a se esconder melhor.

Naquela mesma noite, antes de dormir, Anna abriu a conversa mais uma vez.

Releu algumas mensagens.

Parou em uma.

Você não precisava lembrar.”

Ela ficou olhando aquilo por alguns segundos.

Sentindo aquele mesmo frio de antes.

Mas, dessa vez…

Não afastou.

Bloqueou o celular.

Virou de lado.

E tentou dormir.

Sem perceber…

Que estava cada vez mais próxima de alguém…

Que nunca, em momento algum…

Deixou de observá-la.

E que agora…

Não precisava mais se esconder tanto.

Porque Anna…

Estava deixando ele entrar.

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