Anteriormente em O Eco do Abismo, Vale Seco já havia deixado de lado os cochichos e transformado o nome de Alzira Monteiro em assunto aberto pelas ruas, lojas e esquinas da cidade. Tudo aquilo que por anos permaneceu escondido começou a vir à tona: mentiras antigas, pessoas prejudicadas, irregularidades e rastros de uma vida construída sobre manipulação e amargura. Enquanto a pressão aumentava e as primeiras notificações oficiais da justiça se aproximavam, Alzira ainda acreditava ter algum controle sobre a situação. O que ela não conseguia enxergar era que, há muito tempo, cada acontecimento ao seu redor fazia parte de um jogo maior, silencioso e calculado, conduzido por Miguel Duarte. Cada silêncio, cada documento e cada segredo exposto eram apenas movimentos precisos em um tabuleiro de xadrez já montado, onde Alzira e sua família não passavam de peões. O xeque-mate não era mais uma ameaça distante — ele já estava em curso.
Capítulo 13 – A Pausa do Predador
Depois do xeque-mate anunciado no silêncio dos últimos dias, Vale Seco entrou em uma estranha calmaria.
Pela primeira vez em muito tempo, Alzira sentiu que o ar parecia um pouco menos pesado.
Por alguns instantes, aquilo lhe trouxe uma falsa sensação de alívio.
Era como se tudo tivesse parado.
Mas não por acaso.
Miguel Duarte havia decidido dar um pouco de sossego.
Não por compaixão.
Não por cansaço.
Mas porque, naquele momento, o próximo movimento não precisava mais partir dele.
Agora…
ele deixaria a justiça agir.
A justiça
E Alzira sabia que isso era ainda pior.
Porque Miguel não era apenas um homem paciente.
Ele conhecia o sistema.
Conhecia as pessoas certas.
Na verdade, isso não era novidade para Alzira.
Miguel já havia, inclusive, apresentado a ela vários de seus amigos importantes.
Na época, aquilo pareceu apenas mais uma visita casual.
Mais um contato.
Mais uma conversa.
Mas agora…
tudo ganhava outro significado.
E não foi só isso.
Antes parecia ser apenas uma conversa aparentemente cordial, quase banal, que Alzira nunca deu a devida importância.
Agora, lembrando de tudo, sentia um frio percorrer a espinha.
Nada era por acaso.
Nada.
Em salas frias, documentos estavam sendo analisados.
Relatos antigos começavam a ser cruzados.
Irregularidades fiscais.
Denúncias.
Descumprimento de leis.
Possíveis indenizações.
Pessoas que Alzira tentou passar para trás.
Tudo começava a tomar forma oficial.
Miguel sabia.
O jogo agora havia saído das ruas de Vale Seco.
Saído das conversas.
Saído do psicológico.
Agora estava nas mãos de algo ainda mais definitivo.
A justiça.
E isso era apenas uma fase.
Uma jogada.
Porque Miguel tinha paciência.
Ele sabia esperar.
Sabia que certas quedas precisavam ser completas.
Lentas.
Irreversíveis.
Enquanto isso, Alzira tentava se convencer de que talvez o pior tivesse passado.
Mas, no fundo…
ela já sabia.
A sua ruína estava perto.
Muito perto.
Dessa vez, o tabuleiro não estava apenas nas mãos de Miguel…
estava nas mãos da lei.
COMUNICADO AOS LEITORES DE O ECO DO ABISMO
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| Foto: reprodução/O Eco do Abismo: Capítulo 12 – O Tabuleiro |
A partir de agora, O Eco do Abismo entrará em um breve período de hiato.
Os próximos capítulos aguardam novos andamentos em Vale Seco, para que a narrativa continue coincidindo com a realidade dos fatos narrados.
Afinal, como muitos já sabem, O Eco do Abismo é baseado em fatos reais e recentes.
O silêncio que vem agora não é o fim…
É apenas o intervalo antes do próximo eco.
E, em Vale Seco, toda verdade sempre encontra o seu tempo de voltar à superfície.
Em breve, novos desdobramentos.
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| Foto: reprodução/O Eco do Abismo: Capítulo 10 – Uma Ótima Colheita |
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